Profissional Multimídia, Spetto fala ao FiberOnline sobre a carreira de VJ
Designer, programador, VJ e produtor, Spetto é atualmente um dos artistas mais requisitados da cena eletrônica nacional. Utilizando a música como trilha sonora para sua vida, o ex-integrante do Hydromodell partiu para carreira solo nos anos 90, quando passou a investir em um trabalho que caracteriza-se pela experimentação de ambiências, samples de filmes antigos, barulhos e ritmos para o corpo.
Bastante respeitado no meio musical, Spetto tem várias de suas músicas editadas em coletâneas nacionais e internacionais. Hoje em dia, o artista trabalha na criação de Live P.As de som e imagens.
O VJ Spetto tornou-se um dos principais nomes da cena eletrônica nacional pela sua técnica, criatividade e sensibilidade, que promovem um casamento perfeito entre o áudio e o visual.
Confira abaixo a entrevista de Spetto ao FiberOnline:
Na sua opinião, o que é o VJ?
Poeticamente? Beleza, ritmo e sensibilidade.
Jornalisticamente? Aquele cara que cuida dos visuais em uma arena de exibição. O VJ é o diretor e o editor de seu próprio filme, mixando em tempo real várias fontes de vídeo no intuito de criar um discurso audiovisual.
O quê te impulsionou a explorar este lado da imagem e da tecnologia?
Desde meus 8 anos de idade, tenho computadores ao meu redor. Enquanto as crianças ganhavam Falcons, meu pai resolveu me dar um TK90X. Ao invés de revistinhas da Mônica e do Cebolinha, eu comprava Eletrônica Para Iniciantes.
Sempre tive um tesão danado por clipes, computação gráfica, arquitetura desconstrutivista, daí juntei a fome com a vontade de comer e criei o VisualRadio, que era um portal de experimentações audiovisuais a serviço do underground. Na época, eu tinha um sócio que não me levava a sério, me achava maluco, enfim. Porém, comecei a projetar nas festas da dupla Ana & David, nas Vertical Nights e deu tão certo, eu tomei tanto gosto pela “pantalla”, que as coisas foram seguindo o seu próprio rumo.
Eu sinto saudade daquela época, quando eu levava uma TV e um computador para projetar – ser VJ do Pet Duo é uma honra pra qualquer ser sensato deste universo.
Quais são os softwares que você utiliza para produzir? E como se dá o processo criativo?
Hoje em dia, eu utilizo uma tríade de softwares: After FX, Flash 8 e Neuromixer. Não existe ordem no processo criativo, às vezes pode nascer como um rabisco em uma folha de papel e daí surgirem idéias fantásticas.
Em geral, eu escrevo quatro, cinco linhas de poesia e aí parto para as imagens, que é quando realizo minhas idéias.
Quais são as suas principais influências?
Desconstrução, comics, spams, conversas de bar, piadas – idéias que aparecem quando estamos semiconscientes. É tipo uma antena enferrujada que pega dois, três canais ao mesmo tempo, um liquidificador de freqüências audiovisuais.
Quais foram os momentos mais legais da sua carreira?
Tocar para o Marky no Skol Beats 2003, tocar em Manchester em um clube onde no passado tocou o Joy Division, fazer um set de AV em Lisboa – tocando funk carioca e projetando imagens hardcore pornô, tocar para o Adam Beyer na festa da Circuito de 4 anos, fazer imagens (e polêmica) para o Gilberto Gil, e a última, fazer imagens para o Roberto Carlos – virei o orgulho da minha mãe!!
Recentemente foi lançado o DVD VJBR#1, do qual você participa. Você poderia comentar o evento e dar sua opinião sobre a importância deste lançamento?
Foi um encontro feito por VJs para VJs. Eu acho muito importante o pessoal da cena se unir e criar um projeto comum.
Às vezes, eu sou muito crítico com relação à cena, sempre acho que a gente tinha que se unir mais, mas daí tem um DVD, um encontro desses, e eu tenho noção que a gente é unido pacas, tem opinião, atitude, tudo aquilo que é bom. Eu gosto disso na cena de VJs, nós não temos estrelas, temos companheiros, camaradas. E essa postura ativista faz meu coração sorrir.
Basicamente, discorremos no DVD sobre técnicas, softwares, posturas profissionais, e claro, projetamos até os dedos e os olhos ficarem tortos. Na verdade, ano que vem tem mais, ou melhor, acho que em março tem mais.
Além do trabalho com VJ, você investe em outros projetos, como a parceria com o Martin Neto no Human Machine. Quais são seus trabalhos preferidos?
Eu tenho também este projeto de AV com o Martin, que é uma coisa mais séria, gostamos de encarar um discurso mais teatral, é um show para se pensar, mais cerebral, mas com emoção. É uma forma de homenagearmos todos os artistas que nos influenciaram até agora.
Tenho também os workshops que ministro por aí. Nestes mini-cursos formo novos VJs, caras que vão fazer a cena daqui a pouco, e é ai que planto as novas sementes. Eu faço também parte do crew da Motronic, um projeto quinzenal de minimal e afins pelo qual tenho um carinho grande, pois é formado por amigos, é como uma reunião da família.
Ainda sobra um tempinho para fazer a [in]finita, projeto do Renato Lopes e da Lalai no Bar 8, uma festa bem despojada, bacanuda.
Quais são os planos para o próximo ano?
Pretendo levar a sério o meu projeto de AV, fiz algumas experiências este ano, lancei uma música pela Smartbiz, e estou em conversações para fazer um show completo. Eu tenho algumas parcerias com outros VJs que estou ampliando também – acho que em breve teremos uma banda de VJs.
Tenho planos de montar uma noite, e trabalhar mais e mais. Quero ir para a Europa novamente e também botar um pé na América – se não negarem meu visto de novo!
Por último, quais são as suas expectativas em relação à cena eletrônica brasileira?
Acho que a cena vai bem, obrigado. Tem gente séria por ai, mas acho que está na hora da reformulação dos formatos.
Coisas que foram apontadas por núcleos como TechnoPride, Temp, Quebrada, Motronic, Circuito, entre outros, devem começar a despertar a atenção do Mainstream.
Acho também que a cena de trance vai crescer de novo com força total. Já é um fato que as raves do interior do Brasil tocam masssivamente o estilo.
Acho que os grandes festivais e as grandes marcas deveriam ver/ouvir mais o que o underground produz. Hoje em dia, existe uma clara diferença entre o que o povo quer ouvir e o som Ibiza-style que toca em (quase) todo festivalzão. Você vê por aí festival de cerveja que só tem house-techouse-drum’n’bass. Cadê electro, minimal, trance, breaks, ou mesmo o techno de verdade?
Baixe VJ Spetto no FiberOnline: http://www.fiberonline.com.br/artista.php?id=120
Crédito da foto: Dani B.


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