
A cabine do Hell´s Club em 1996 foi o ponto de partida para a carreira da DJ e produtora Paula Chalup, uma das pioneiras da e-music em São Paulo. Ela tem sido um nome presente nas melhores pistas eletrônicas do país e neste sábado ( 14/6) tocará na Fuego! ( no Clash), ao lado de Chris Liebing e Renato Cohen, e também no after hours do Vegas - o Hell´s Club - junto com Pil Marques ( haja fôlego!).
Paula respondeu algumas perguntas para o FiberOnline e, gentilmente, montou um mini-set impecável que dá uma boa idéia do que ela vem tocando ultimamente. Leia a entrevista abaixo:
Numa época em que ainda havia uma espécie de supremacia masculina nos toca-discos (pelo menos em São Paulo), você despontou como uma das grandes revelações. Quais foram os DJs que te inspiraram na escolha desta carreira? E por quê?
O DJ que foi, e continua sendo, a minha maior inspiração é o DJ MauMau.
Nunca tinha visto um DJ se envolver tanto com uma pista quanto ele.
Também tive como inspiração o Renato Lopes.
O seu contato com a música eletrônica veio diretamente das pistas?
Nunca tinha ouvido nada parecido com o que eu ouvi no Sra Kravitz (o antológico club em Santa Cecilia). Quem estava tocando era o Mau Mau e, na seqüência, o Renato Lopes. Fiquei encantada com a música e com a energia destes 2 DJs que admiro tanto.
Qual foi o primeiro disco que você comprou e que entrou pro seu case? Aliás, foi comprado ou você ganhou?
Foi o Electroluv do Steve Paton, do selo Planet E Communications. Eu ganhei do Mau.
Na época do Hell´s as bases eram relativamente pesadas, ainda mais com o advento do hard techno. Hoje em dia as coisas mudaram um pouco e, muitos dos produtores que faziam este som naquela época partiram pras BPM mais lentas do minimal ou até mesmo pra sons mais experimentais. Como você vê a evolução do seu som?
Como em tudo na vida, a música também muda e evolui. Ainda bem, porque é isso que faz as coisas crescerem. Na época do Hell´s, realmente eu tocava mais pesado, mas uma coisa não mudou: continuo tocando o que acredito. Dentro ou fora do modismo do que está tocando ou do que é legal tocar, meu set continua variando do house ao techno. Como a minha maior inspiração vem de músicas e artistas novos, o meu som evolui diariamente.
Daria pra montar pra gente um set relâmpago com 10 faixas que descrevem bem o som que você tem tocado ultimamente? Quais são elas (artista/faixa)?
1- Maetrik/ Choose Your Systerms
2- Jimpster/ Dangly Panther
3- Loco Dice/ Flight lb 7475
4-Roger Martinez/ Instigate
5- Mathias Heibronn/Do it Right
6- Hugo/The Siren
7- John Acquaviva/ Sofa King
8- Terry Lee Brown Jr/Bonzai
9- Motorcitysoul/Mango
10-Carl Craig/ Pixel Girl
Tem algum ou alguns discos que você costuma carregar no case desde o começo da carreira - aqueles que você descobriu e até hoje causam impacto na pista e as “clássicas”, que de vez em quando dá vontade de ressuscitar?
Quase sempre nos meus sets eu toco algumas que eram hits no Hell´s.
Artistas como Sterac, Secret Life e do selo 100%Pure.
Você passou um tempo fora do Brasil e inclusive tocou numas festas bem legais. Conta um pouco como foi essa experiência por lá.
Passei 7 meses em Londres. Fui fazer alguns cursos. Viajei sem pretensão nenhuma de tocar, fui bem mais focada nos meus estudos, mas claro, sem nunca deixar de fazer contatos e deixando as coisas rolarem naturalmente.
Tive muita sorte porque assim que cheguei conheci uma manager, que me ajudou muito e apostou no meu trabalho também. Então pra mim estava perfeito: estudar e tocar em Londres, o que mais eu poderia querer??!! rs
Bom, acabei tocando em clubs bem importantes como: The fridge, Brixton Academy, Turmills, 1001, Renaissence, e por aí vai. Tocava quase todas as semanas.
Foi uma experiência única, pois nunca tinha morado fora, e o resultado não poderia ter sido melhor para a minha carreira como DJ e pra mim, como pessoa.
E a produção. Como e quando você começou a fazer suas próprias tracks?
Hoje estou completamente focada na produção.
Comecei a produzir em 2002, junto com o DJ e produtor Philip Braunsten.
Juntos montamos um selo, o Special-Series, e para o primeiro lançamento convidamos o DJ e produtor Adam Jay. O disco foi distribuído pela Trapunvision, que fica em Roterdã, e foi muito bem recebido. Em apenas duas semanas esgotaram-se as cópias. Pretendo ainda este ano dar continuidade nesse selo.
E quais são as novidades pra esse ano?
Além de dar continuidade no meu selo, pretendo também lançar um CD com convidados nacionas remixando faixas minhas, ainda esse ano. Também estou com o projeto Mafia no Vegas, junto com a Ana Flavia, o Andre Juliani e o Pedrinho Dubstrong. Todas as terças toco como DJ residente no club novo na Rua Augusta, o Boca Club, no projeto Jump.
Algumas outras residências estão para serem fechadas, assim como uma turnê para o final do ano na Europa.
Tem alguma dica ou conselho que você gostaria de dar pras DJs que estão pensando em iniciar a carreira?
Olha, hoje em dia o que mais tem é DJ. Eu não acho isso nem um pouco ruim.
Mesmo porque eu acredito que a qualidade, em tudo, sempre vai prevalecer.
Fazer porque gosta é o ponto principal. No meu caso, eu amo tocar e produzir,
então a minha dica é muita dedicação.
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