
SLM - Almir Justo e André Guarda
Prestes a comemorar dez anos de carreira, o DJ e produtor Almir Justo, que é conhecido no circuito paulista da e-music como DJ Paulista, adiantou algumas novidades para o Fiber sobre o seu novo projeto. Trata-se do Smells Like Metal ( ou apenas SLM), que é onde ele e seu comparsa André Guarda colocam em prática suas novas experiências com BPM mais baixas e harmonias inspiradas para dar forma a poderosas tracks de progressive house.
Confira abaixo a última entrevista do ano.
O seu envolvimento com a cena eletrônica já dura quase dez anos. Daria pra traçar uma linha evolutiva do seu som, tanto na discotecagem quanto na produção?
Eu comecei a discotecar em 98, tocando hard-trance, hard house, hard techno. Segui por uns 3 anos nessa linha. Como eu sempre gostei de raves e festas open air, fui migrando aos poucos para o psy-trance, que é um estilo que eu me indentifico muito.
Posso dizer que minha evolução foi muito grande no lado melódico dos estilos, sempre toquei sets que soavam como histórias, e toco trance até hoje – tanto psy trance como euro-trance. Dai veio a vontade de fazer uma linha com BPMs mais baixos, mas sem fugir do lado harmônico e melódico. O live do SLM mistura alguns estilos, mas sempre buscando tocar música com alma.
E como foi o seu envolvimento com a música eletrônica, primeiro vieram asbaladas ou você já curtia música eletrônica antes mesmo de sair a noite?
A música eletrônica entrou na minha desde muito cedo. Morava em SP, em meados de 90/91, adolescente ainda, e ouvia muito acid house, Front 242, De la Soul. Tenho um irmão mais velho que sempre foi fissurado por música também e comprava muito coisa conceitual na época, que para mim era uma coisa do outro mundo ( rs).
Um pouco mais tarde, escutando bastante o som do Chemical Brothers e do Prodigy, fui estudar em Minas Gerais (em Alfenas, 1996 ), e lá comecei a organizar algumas festas, raves, e começou a dar muito certo.
Fui me interessando pela discotecagem, comprei meus primeiros equipamentos em 1998 (nessa época nos tínhamos um programa só de música eletrônica na rádio da faculdade, que conseguiu quebrar muitos paradigmas na época) e a partir dai não parei de produzir eventos e discotecar.
Você já tem faixas lançadas inclusive por selos internacionais. Como surgiu
essa oportunidade?
Além do SLM, eu tenho um projeto de trance full-on groove, o
Firewall, que já existe há uns três anos. Bem no começo eu produzi faixas em
parcerias com produtores de outros países, faixas essas que saíram em CDs na Europa e Japão,e recentemente a Plusquam Records da Alemanha adquiriu 10 faixas para
lançar no Beatport. Faixas próprias e alguns remixes de projetos nacionais como o Hypercepthiohm, que foi uma experiencia muito boa. Em breve sairão mais releases, fechando uma parceria interessante com a Plusquam.
Conte-nos um pouco como rolou o seu envolvimento com o label Offbeat.
A parceria com a Offbeat, se deu por conta da minha amizade de longa 
data com um dos managers da gravadora, o Gonçalo Vinha, um grande
amigo e parceiro que me ajudou muito no começo da minha carreira. Ficamos por um bom afastados devido a caminhos diferentes seguidos dentro da cena eletrônica.
Recentemente, eu contatei o Gonçalo, já com o SLM e levei um CD para ele ouvir. Ele gostou muito do trabalho e nos apresentou aos dois outros managers da gravadora, o Cris Martinelli e o Roger Drummel, que felizmente nos convidaram para fazer parte do casting da gravadora.
Ficamos muito felizes e honrados com o convite, e estamos muito animados, já que eles são uns dos mais respeitados e sérios donos de gravadoras aqui no Brasil.
Você tem escutado também outros estilos eletrônicos ou
está mais focado no trance e no progressive? O que você tem escutado
ultimamente e que tem te inspirado na produção das faixas novas?
Eu estou numa fase de esponja (risos)… Ouvindo muita coisa que nunca
pensei que iria ouvir, muito house e suas variações, desde progressive até os últimos lançamentos de tech house. Tenho ouvido muito minimal tech, produtores alemães. Sou péssimo para guardar nomes. Um selo que tem me inspirado bastante é o Plastic City (do Terry Lee Brown), e estou tentando ouvir coisas fora do mainstream, para fugir um pouco dos clichês e influenciar meu som com timbres e grooves “fora do padrão”.
Daria pra descrever um pouco o seu estúdio e o ambiente em que você produz ?
Que hardware, software está usando?
Meu estúdio é relativamente modesto, é no meu apartamento mesmo em São Paulo (capital). Nada muito caro, mas também não passo raiva com meus equipamentos (risos) . Uso o Logic 8, na plataforma Mac, que me satisfaz muito; tenho uma sala com um tratamento acústico que me facilita bastante na hora de
produzir. Acho que hoje em dia é o fator que mais diferencia. Não adianta ter equipamentos caríssimos, se você não tem uma acústica adequada. Seu ouvido vai ser enganado do mesmo jeito (risos). Para o começo de 2009 temos planos de dar uma renovada nos equipamentos.
E como surgiu a parceria com o André Guarda?
O André Guarda é um parceiro meu desde o Firewall, lançamos um EP (“Dueto”) em parceria, dai ele começou a produzir low BPM. Eleveio em casa, me mostrou duas faixas produzidas, gostei muito da pegada, convidei ele para montar um projeto e surgiu o SLM. Nos damos muito bem no estúdio, cada um respeita seu respectivo espaço. Ele é musico, guitarrista, e como eu fiz alguns cursos de áudio e produção, juntamos a harmonia dele com minha parte técnica de produção e esta sendo bem legal esta união.
Vocês costumam se encontrar em estúdio pra produzir, ou rola também um esquema de troca-troca de arquivos pela net ?
Nós fazemos tudo no meu estúdio. Quando é necessário, ele vai lá direto, mas nossa produção é sempre feita em conjunto, às vezes um dos dois faz alguma coisa sozinho, mas é bem raro. Nos últimos três meses passamos mais de 10 horas por dia no estúdio, num ritmo bem acelerado, sem nenhuma discussão ou diferença de opiniões, pois o respeito e a amizade prevalecem acima de tudo.
Daria pra adiantar as novidades do novo projeto, o Smells Like Metal? Já tem lives marcados e lançamentos já engatilhados?
Em dezembro nós estreamos o projeto em formato live PA e faremos uma turnê em janeiro pelo interior de São Paulo. Tem um um EP digital para ser lançado no final de janeiro pela OFFbeat, e estamos atrás de alguma agência que possa cuidar da parte de bookings do projeto. Estamos trabalhando em novas faixas e temos alguns remixes que estão saindo do forno: dois para o projeto Oil Filter e um remix que a gente fez da música “Holiday”, da Madonna. Estamos muito empolgados com o futuro do SLM.
Com certeza virão coisas boas para o próximo ano. Quero, além de agradecer a oportunidade desta entrevista, dizer que o FiberOnline sempre foi uma referência para mim, pela sua vanguarda e solidez nas opiniões. Um grande abraço aos internautas e a toda equipe do Fiber!
Não deixe de escutar e baixar as faixas dos projetos Smells Like Metal e Firewall e deixar seu comentário.