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Resenha: “Sub Existência”, o álbum de estréia do Dubalizer

Dubalizer

O dub, estilo propagado mundialmente por mestres jamaicanos como King Tubby e Lee “Scratch” Perry no final décadade 1960, já foi assimilado na cultura da música pop brasileira por bandas de diferentes gerações -  com uma certa parcimônia e evidente aqui e alí em faixas específicas-, a exemplo do Paralamas do Sucesso, Cidade Negra, Chico Science e Nação Zumbi e O Rappa.

O uso excessivo de delays e reverbs, a mixagem de sons ambientes e a cultura do remix a partir de faixas de reggae retrabalhadas com um tom mais viajante e espacial, que virou a  marca registrada dos cientistas de estúdio jamaicanos, vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil e aos poucos surgem bandas e projetos dedicados exclusivamente à produção de dub. Na ala da eletrônica, o Dubalizer alcançou recentemente um feito pioneiro, o de lançar seu álbum de estréia por um selo francês.

“Sub Existência” ( o título/homenagem exprime bem o envolvimento do seu criador com o culto ao subgrave) é o fruto das experiências sônicas do DJ/produtor e engenheiro de som paulista Wagner Bagão e acabou de ser lançado pelo netlabel Fresh Poulp Records, dedicado exclusivamente ao dub e reggae.  

Dubalizer - Sub Existencia - FRONT  

Pela faixa de abertura  “Miseros Talentos”  já dá pra se ter uma clara idéia das intenções do álbum . Ela conta com os vocais pungentes de Dom Lampa em mensagens de conscientização social sem o ranso comum de clichês panfletários vindos das esferas da política. O que dá o tom aqui é o rap com um sotaque mais jamaicano que urbano. Na sequência e seguindo os preceitos fundamentais do dub, uma versão instrumental e remixada intitulada “Miseros Dub”, com ênfase maior nos efeitos e nas linhas percussivas.

“Cosmunidade” inclui synths elásticos e vozes sampleadas encobertas por uma bruma sonora. O uso do reverb cavernoso em determinados elementos percussivos na faixa colabora bastante para a massa sonora viajante epsicodélica, que é praticamente o que todo o fã de dub eletrônico espera. A chapação pode ser comparada às faixas mais “brisadas” do Dreadzone e do Zion Train, para quem começou a curtir o estilo na década passada.

Em “O Tapa”, as experimentações de Bagão incluem sons 8-bit com melodias inspiradas no Oriente Médio, que servem de base para a performance do MC Dom Lampa. Assim como em “Miseros Talentos”, ela é seguida por uma versão “in dub” com os knobs dos efeitos posicionados bem mais pra direita, ou seja, avalanches de reverbs e delays pra derreter o labirinto e os miolos.

“Abra Sua Mente” incorpora a percussão dos morros e conta com o talento vocal de Nell. A escolha dos timbres de synths e a maneira como as modulações foram feitas atribuem à faixa o famoso jargão “carro-chefe”. O groove e a sonoridade do piano embalam com muita classe essa que pode ser considerada a faixa mais elaborada do álbum, aquela pra “inglês” ver, ouvir, não botar defeito e sair – nem que desengonçadamente – dançando pelas areias das praias jamaicanas, cariocas, ou pelo concreto das paisagens urbanas de Sampa.

O elemento folclórico também está presente em “Ogum”, introduzida por cânticos africanos e sintetizadores acidamente distorcidos. O batuque afro-bélico e clima apocalíptico que segue transportam a faixa para um patamar mais experimental (onde paira também a fantasmagórica “Dub is Electronic Music”) e mostra a versatilidade de Bagão para construir ambiências de apelo e força sonora excepcionais.

De lambuja, o álbum vem com dois remixes para os temas principais. “Abra Sua Mente” foi reelaborada pelo Tsunami Wazahari, que também integra o cast do Fresh Poulp, e “Miseros Talentos” recebeu uma ótima releitura pelo Stereo Dubs, projeto  de dancehall dos DJs e produtores LX e Leo Grijó.

No perfil do Dubalizer aqui no FiberOnline você já pode baixar cinco faixas de “Sub Existência”. E vida longa ao dub brazuca!

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