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Entrevistas

Entrevista com o SLOP, que estréia no fiberOnLive

O SLOP é o atual projeto do prolífico produtor Sérgio Lopes, também responsável pelas produções do Joe 90, MKT Krash e Sloptical Art. Com uma sonoridade mais próxima do electro tech e tech house, suas faixas tem o foco orientado diretamente para as pistas e exprimem muito bem esta sua nova fase de experimentações possibilitadas com o advento do Ableton e de lançamentos por selos gringos.

O projeto apresenta seu live na última quarta deste mês (25 de agosto) no clube D-Edge, na noite que reúnirá as festas CIO e fiberOnLive:

Conte um pouco sobre como foi a sua incursão para o universo da música eletrônica.

No final dos anos 80 eu frequentava muito um club aqui em São Paulo chamado Phoenix, na época a casa estava substituindo o Rouge/ Rouge Neon na Av. Henrique Schaumann, acreditem nessa época tinha até a matinée da Nation de domingo!

Lá eu comecei escutar muita música eletrônica com um apelo mais underground, e isso ficou marcado na minha memória. Eu corria atrás de discos, fitas e cd's a todo instante, eu era obcecado por Front 242, Alien Sex Fiend e Kraftwerk. Era super empolgado e usava até camiseta do selo Wax Trax!

Pulei todo esse lance de rave e psicodelia dos anos 90, acabei perdendo, mas logo que avistei um aparente 'revival' do electro dos anos 80 e conhecer o gênero 'Modertronic' como o Anthony Rother gosta de se referir, achei que deveria arregaçar as mangas e fazer parte disso. Foi quando voltei a me interessar.

Puxando pela memória, você consegue se lembrar  qual foi a primeira produção eletrônica que ouviu e que mais te marcou?

A primeira que escutei tenho arquivado na memória, foi vendo um cover de Dee D. Jackson na TV no final dos anos 70 que ouvi "Automatic Lover". Lembro da cantora e um robô ao lado dançando no programa Carlos Imperial, eu tinha 6 anos e pedi até o compacto de presente aos meus pais, o synth era incrível e a dança do robô também.

As produções que mais  me marcaram foram 5, nessa ordem: "Vangelis - Pulstar , Kraftwerk - Pocket Calculator, Afrika Bambaataa - Planet Rock, New Order - Blue Monday e Front 242 - Headhunter"

E como foi que rolou a sua entrada para o mundo da produção? Algum amigo te passou uns softwares, vc já se arrriscava antes com produção em hardware ou a coisa toda se deu de outar maneira?

Em 2003, tive um colapso nervoso no trabalho e fui obrigado a desacelerar. Por ordem médica, fui aconselhado a procurar um 'hobby' para relaxar e descobri na época que a única coisa que me relaxava de fato era colocar o fone de ouvido e 'brincar' com o software E-Jay!

Me matriculei na primeira turma do curso de produção especificamente pra música eletrônica do I.A.V. e com o tempo fui conhecendo programas mais completos e profissionais. O 'hobby' foi tomando mais do meu tempo, a ponto de me fazer repensar no rumo da minha vida profissional.

Você tem nada menos que 4 projetos, não é? Como eles surgiram?

Confesso que fiz de tudo para não ficar o tempo todo produzindo mas foi incontrolável, estou nessa de não parar de produzir há anos e isto pode ficar evidente pela quantidade de projetos que acabei criando.
Toda vez que o computador não aguentava mais ou eu comprava algum novo equipamento o som começava a soar diferente. Essas mudanças de equipamentos aliado à necessidade de sempre procurar algo novo me levou a trocar de projeto e seguir adiante com outro. Depois de um tempo vi que criei "4 caixas diferentes" e cada vez que termino uma produção vejo se ela serve numa delas.

Musicalmente, daria pra traçar um perfil individual de cada projeto? Qual a diferença entre a produção de cada um?

Joe 90 definia minha intenção de produzir ao invés de remixar ou somente fazer versões. É o primeiro projeto e foi onde tudo começou. Hoje eu tenho feed-back de amigos que afirmam que algo muito legal neste projeto ficou só nele e eu não consegui levar para os outros. Um dia quero encontrar este algo especial de volta e lançar com o nome Joe 90 novamente. Acho que nele estava mais evidente minha musicalidade sem o conhecimento técnico e a intenção de criar era talvez mais livre de estilo, mais experimental.

MKT KRASH tem uma musicalidade mais séria, electro com cara de EBM e algo industrial. Surgiu em 2007 com o intuito de definir mais a estética da minha música e assumir a escola alemã de vez. Há uma relação forte entre este projeto e o selo Data Punk.

Sloptical ART é a 'caixa' onde coloco o que não acho muita definição, talvez mais house e 'maximal'. Na verdade é mais livre. Quero encher o Sloptical ART de remixes mas ainda não encontrei tempo.

Slop é o projeto principal atualmente, é a abreviação de Sérgio Lopes, meu nome. Procuro selecionar para este projeto as produções mais alinhadas ao meu gosto pessoal para as pistas, que é este híbrido atual de minimal, techno, tech house, electro e afins. Nele dou um toque deep e house, soando um pouco "robótico e lascivo" ao mesmo tempo.

Da ala nacional da eletrônica, existe algum ou alguns projetos/artistas/bandas que você admira?

Admiro o trabalho do Fabiano Zorzan, o Propulse e do jeito que pude ajudei no lançamento do seu ótimo CD Infrassom com um patrocínio da Ultraeco em 2007, onde eu era o diretor de MKT na época.

Sou grato ao Dj Laurent F. por me ensinar alguns macetes de produção, além de gostar muito do som dele também. Admiro também o Link Off de Campo Grande pelo jeito DYI e 'roots' de fazer sua arte - um artista e tanto. Beto Salmon é meu professor e grande incentivador, além de produzir muitíssimo bem, ele é uma enciclopédia da e-music !

Escutei algo também do Gabe e fiquei impressionado com o nível.

E no âmbito internacional?

Xenia Beliayeva, Oliver Huntemann, Anthony Rother, Stephen Bodzin, Makossa & Megablast e agora os meu colegas de label como Extraplay, Max Gazeta, Beat Maniacs entre outros...

Recentemente você lançou material por um netlabel alemão. Como foi que surgiu a oportunidade?

O Beto Salmon me incentivou a enviar "urgente" umas tracks pra fora do país, em labels principalmente da Alemanha. Segui o seu conselho e em Junho deste ano um email muito direto perguntando se eu estava à procura de lançar minhas músicas. Era o alemão Kevin dono do netlabel Chibar Records e do projeto Extraplay. Gostei da objetividade e seriedade dele. Em alguns dias já estavamos masterizando as tracks, traduzindo contratos e lançando dois EP's quase simultâneos "Fade In" o primeiro, e o recém lançado "Azimov 3 Laws"

O que você tem usado pra produzir?

Tenho usado o Ableton Live com VST's e controladores. Para finalizar e masterizar as tracks estou enviando para estúdio e usando híbridos analógicos.

Você costuma finalizar as faixas logo na primeira "tacada", ou é daqueles que costumam fazer várias versões até chegar numa definitiva?

Costumo finalizar na primeira "tacada", acho que sou de poucas versões e muitos projetos!

Quantas horas em média costuma gastar pra criar uma faixa, desde a criação da primeira track até a finalização?

Se começar a passar de 7 dias eu sinto que estou ficando perdido e prefiro guardar para finalizar depois. As vezes isso não dá certo e a música fica perdida, inacabada.

Muitas vezes, ditados como "os fins justificam os meios" são aplicados na produção, principalmente nos métodos utilizados e no material que se usa para obter o resultado desejado. Nesse caso, você é contra ou a favor de usar samples e presets na produção?

Sou super a favor, não se pode tirar o mérito de um piloto de formula 1 por estar usando cambio semi automático e suspensão inteligente. O piloto tem que transcender ao que lhe dão em tecnologia e reverter em mais velocidade. Claro que existem pessoas se enganando e enganando o público, e geralmente os "fins" desse tipo de profissional é apenas o dinheiro e diversão, não tem uma responsabilidade com a arte.

Conte um pouco como será o live que você apresentará na quinta edição do fiberOnLive. Será baseado nas produções autorais suas como SLOP, ou faixas de seus outros projetos também marcarão presença?

Irei focar mais na fase atual apresentando os lançamentos feitos pela Chibar Records, mas certamente algumas das outras 4 caixas serão abertas!

E quais são as novidades até o fim do ano?

Sinceramente não aguento mais ficar em estúdio só produzindo, estou procurando um meio de me inserir efetivamente na noite e tocar aqui no Brasil. Na Alemanha já arrumei um booker, mas por aqui ainda nada... Em outubro prensaremos uma tiragem do meu primeiro vinil por lá que será o primeiro do selo Chibar Records. Até o final do ano quero promover ele ao máximo!

Acabei de receber a notícia de que lançarei um EP pela UnitOvOne Recordings de St. Louis (EUA), voltado para produções de techno e drum and bass.

Algo que quero deixar registrado aqui, é o fato de que, sem exagero, se não houvesse o site fiberonline, talvez eu não seguisse adiante como produtor. A oportunidade de postar uma faixa no site e saber que tem gente que realmente ama música eletrônica ouvindo já é o suficiente para seguir adiante produzindo. E isso faz muita diferença.

Entrevista: DJ Laka

Com pouco tempo de carreira e muitas conquistas, a DJ Laka é mais um nome que reforça o cast de DJs femininos da cena noturna nacional. Ex-integrante do duo maximalista Bloodshake, ela agora sai em carreira-solo e mostra-se atuante fazendo parte das festas Bang!, que acontecem no clube Vegas em SP, e  Hustler Prive Club no Beco Diskoclub (Porto Alegre).

 Seus sets e produções misturam estilos que fundem o  maximal, fidget house e a tropical house. Em seu currículo, conta com remixes para nomes internacionais como Larry Tee e Don Diablo, entre outros, além de já ter dividido a cabine com Grum, Soulwax e Tronik Youth (apenas alguns de uma já extensa lista de destaques mundiais do electro/maximal). Atualmente, faz parte da crew italiana de DJs e produtores Sidechain Massacre. Saiba mais sobre ela na entrevista abaixo:

Quando você sentiu vontade de começar a tocar e produzir?

 Eu sempre gostei muito de trabalhar com música. Já tive banda, toco guitarra, já fiz coral e o som eletrônico sempre esteve presente na minha vida. Comecei a observar os amigos tocando nas festas que eu freqüentava e, em 2007, tive oportunidade de brincar pela primeira vez com as pick ups.

Quais softwares e instrumentos costuma usar em seu processo de criação?

Atualmente eu uso Virtual DJ e o Frutiloops para produção e live set.

Conte um pouco de sua experiência no Bloodshake.

Blood Shake era uma dupla formada por mim e pelo Zero. Começamos a discotecar juntos em 2008. Começou como por brincadeira, mas acabou dando supercerto. O Bloodshake pra mim foi uma escola, onde eu aprendi muito. A dupla acabou o projeto em uma ótima fase, e agora ambos seguem com suas carreiras solo.

Zero e Laka na época do Bloodshake

Atualmente quais estilos lhe agradam mais na pista?

Eu gosto de ouvir de tudo um pouco, costumo sempre ir a festas alternativas, de sons diferentes que vão do dubstep ao minimal. Nunca me prendi a um tipo só de vertente de música eletrônica.

Que faixas não podem faltar em seu set?

Sempre tem uma mistureba de produtores, toco muito Afrojack, Douster, Crookers, Edu K, Killer on the Dancefloor. Aa lista é grande.... Uma faixa que sempre toco, que talvez já tenha até virado uma espécie de marca registrada do meu som, é um funk – Jonathan da nova geração.

Dos produtores internacionais, qual foi o que você mais gostou de tocar ao lado?

Um dos momentos que considero mais marcantes  foi na festa Maria Picape no Vegas; em que  toquei com meu antigo projeto (o Bloodshake) junto com Mixhell (Igor Cavalera e Laima Leyton) e o 2ManyDJs (Steven and David Dewaele) do Soulwax.

Como pintou o convite para fazer parte do coletivo italiano Sidechain Massacre?

Foi no final de 2008 que fizeram a proposta para o Bloodshake fazer parte do coletivo. Somos em muitos pelo mundo. Hoje em dia, eu faço parte como DJ Laka e o Zero como Disco Killah. 

Onde podemos te ouvir?

Além das  festas Bang (Vegas Club) e Hustler Prive Club  (no Beco DiskoClub, em POA), convido todos a escutar algumas de minhas mixtapes hospedadas no Soundcloud e MySpace.

 

Entrevista com o DJ e produtor mineiro Nedu Lopes

Com duas turnês internacionais em seu currículo e apresentações recentes por noites renomadas como a Discology vs Quebrada (no Vegas) e o Paradise after hours (no D-Edge), o mineiro Nedu Lopes é um dos brasileiros mais talentosos na praia dos "breaks".

Dono de uma técnica apurada que se estende não só aos seus dinâmicos sets, mas também às suas produções que começaram a fazer parte de sue cotidiano artístico desde o início da década de 1990, Nedu contou ao fiberonline um pouco de sua trajetória e o porquê de sua preferência por  "breaks". 
Você passou a se envolver com o universo da música eletrônica no final da década de 1980, ainda em BH. Alguns dos expoentes mineiros mais conhecidos decidiram migrar pra SP, enquanto ainda tem um pessoal que investe em talentos locais, a exemplo da turma do Conteúdo. Como andam as coisas hj em dia por lá?

A cena eletrônica em BH cresceu bastante e se consolidou nessa década. Hoje existem vários clubes, projetos e festivais que viraram marcas consagradas na cidade. E também muitos profissionais que conseguiram divulgar seus trabalhos para além da cidade. Com certeza o mercado em SP continua sendo maior e, por conseqüência, mais profissional, mas em Belo Horizonte ainda tem gente trabalhando de forma profissional e valorizando a cena.

Há alguns anos você teve a oportunidade de embarcar pra turnês por diferentes países. Como surgiu a oportunidade?

Em 2006 o Fernando, da agência FM/AM, entrou em contato comigo porque se interessou pelo meu trabalho depois de ouvir uns sets na internet, e me convidou pra entrar para a agência. Fiz duas turnês, em 2007 e 2008, com duração de 2 meses cada, num total de 24 gigs por 9 países da Europa e Ásia.

E como foi essa experiência? Fale um pouco sobre isso. E os convites continuam pintando?

Foi uma experiência incrível! Pude tocar em clubes super underground no interior da República Tcheca à mega clubes na China. O contato com várias culturas diferentes foi muito importante não só pra minha vida profissional, como pessoal também. No início de 2008 o Fernando voltou a morar no Brasil pra tocar outros negócios que ele tem por aqui, mas estamos estudando as possibilidades de uma outra turnê ano que vem.

Você começou a produzir ainda na década de 1990. Conte como foi o seu envolvimento nesse universo de produção.

No início da década de 90, antes mesmo de ter acesso a computadores, eu já arriscava umas produções utilizando toca-discos, tape-decks e teclado. Assim que tive meu primeiro computador, em 1996, comecei a pesquisar muito sobre softwares de áudio.

Quais hard e softwares você usa hoje em dia pra produzir?

Já usei vários. Mas de 3 anos pra cá me concentro em um que provavelmente é o software pelo qual eu mais me empolguei até hoje, o Ableton Live. Produzo hoje utilizando apenas ele e, claro, mais um monte de VSTS.

Recentemente você postou por aqui um set muito bacana de nu school breaks. Fale um pouco sobre esse set e das suas influências no universo da música, não só da eletrônica como também de outros gêneros.

Meu interesse pela música começou aos 14 anos, pela house music, que era a principal vertente da música eletrônica no final da dédaca de 80. Mas eu ouvia também muito rap e freestyle/Miami Bass. Com o crescimento da música eletrônica foram surgindo uma infinidade de gêneros e sub-gêneros e, como fui acompanhando de perto, isso me influencia muito hoje. O breakbeat é um dos estilos mais maleáveis que existem. Ele flerta facilmente com vários outros estilos, por isso acabei me dedicando mais a ele. Esse set que coloquei aqui no fiberonline, o "Dynamite Breaks", é um exemplo dessa flexibilidade do estilo. Tem breaks com influência de house, de techno, de rlectro, e até do rap.

Além da música eletrônica atual, o que ouço mais é disco e funk das décadas de 70 e 80, um pouco de rock atual, e bastante rap - atual e old school.

E quais as novidades até o fim do ano?

Pra esse ano pretendo ainda lançar umas faixas que estou finalizando, também criar outras em parceria com novos amigos de SP e continuar tocando por aí, que é o que eu mais gosto de fazer!

 

 

 

Entrevista com o Scanner pt. final: o futuro da eletrônica

No final da conversamos um pouco sobre a relação da evolução da música eletrônica e da tecnologia. Na década de 1970 com o uso dos sintetizadores, na seguinte com a revolução do sampler, na de 1990 com os softeares e aprimoramento do audiovisual e nos 00´s com a exploração das diversas interfaces.

E agora, o que está por vir?

"A sugestão do táctil ficará cada vez mais importante, a relação com o toque, o tipo de tecnologia desenvolvida com o telefone, até o iPhone, essa relação é crucial para o prazer e compreensão,

Também quanto a mobilidade, avanço na mobilidade, habilidade de produzir sons e viajar com o som, miniaturização e hibridismo, fazer filmes com o iphone, habilidade de basicamente hackear um iPad, muita coisa pode surgir. O que mais me perturba é não poder responder isso, torna as coisas excitantes. Não há respostas no momento, eu não consigo projetar um futuro próximo.

Talvez tenha tudo a ver com o corpo, a interação com o corpo como inspiração e orientação. Quem sabe na próxima vez que nos encontrarmos haja uma resposta, para poderemos falar sobre isso?

 

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Galeria: Scanner no Itaú Cultural

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"Para esta performance, usei sons bem frágeis e outros com mais impacto, com freqüências graves que acabaram repercutindo na estrutura do teatro, a partir da manipulação de filtros, lidando com contrastes e criando novos elementos para a trilha sonora, as vezes bem incidentais. Isso acontece quando a estrutura do local onde está acontecendo a performance responde, como vibrações de pates e objetos . Meus momentos prediletos são justamente aqueles em que o som alcança um climax e de repente cai para o "quase silêncio". Como que conduzindo algo para o topo de um abismo e empurrando-o pra ver o que acontece.

Minha idéia foi construir uma performance com transformações sutis e lentas, como numa pintura. Não existe uma história. É baseado em improviso, a partir de seqüências que escolho usar e trabalhar em cima, criam-se imagens que vão se transformando. Algo para funcionar como uma trilha sonora de possíveis filmes, cada um de acordo com a direção de quem está presente", concluiu o artista.

Sobre o gadget comentado no review da performance, muito bem explorado por sinal, durante a performance, Robin revela:"Na verdade trata-se de um aparelho que atualmente está meio quebrado e faz coisas que não deveria fazer, mas o legal de tudo isso é que você não tem  controle total sobre ele, o que eu acho ainda mais excitante. É uma combinação entre de Theremin e unidade de sons, e tornou-se uma coisa bem física, apesar de não precisar tocar sua superfície para transmitir sons. Não quero ser um artista que apenas fica a frente de um laptop e deixa tudo nas mãos da máquina.

Esse tipo de contato físico eu tenho em um nível diferente com um dos meus projetos, no qual toco guitarra ao vivo numa banda com Colin Newman (Wire/Swim/Cramed Records), Malka Spiegel e Max Franken (os dois últimos são ex-integrantes do Minimal Compact). Para mim é um hobby, não fazemos grana, mas é muito divertido. Nos reunimos periodicamente me um estúdio em Amsterdã e depois subimos no palco em turnê, em lugares alternativos. Muitas vezes escrevemos três faixas em um só dia. Começamos eu e Malka, depois Colin adiciona suas idéias e no final Max, o baterista, dá sua contribuição".

 

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Entrevista com o Scanner pt.2: produção musical

Robin Rimbaud explica as origens de seu trabalho com gravação de vozes, de ambiências abstratas e aproveita para apontar o trabalho de outros influentes artistas da eletrônica experimental. Leia abaixo:

"Antes do lançamento da compilação, estive sempre gravando e lançando K7s, a princípio numa escala bem pequena, de aproximadamente 100 cópias. Desde o começo dos 80´s me dedicava a isso e já em 1986, tinha dois estagiários que me ajudaram a arquivar tudo isso, e descobrimos que a cada mês eu gravava pelo menos 90 minutos de material, que depois foi tudo passado para DATs.

Muita coisa foi gravada com um walkman da Sony, mixado com uso de gravadores de rolo (no esquema "reel to reel"), até que em 1987 comprei um gravador de quatro pistas para trabalhar minhas colagens de sons e vozes. Nessa época era influenciado por artistas que realizavam um trabalho parecido, mas num esquema mais profissional, como o Severed Heads, SPK. Eu não tinha grana, então me virava do meu jeito, com tapes, guitarras, manipulando o material com diferentes pitches, reverses. Era tudo muito básico, mas havia algo desafiador e gratificante em trabalhar com recursos limitados, extraindo várias coisas disso para ver no que dava. A coisa toda era bem "live", não tinha um computador para tratar os sons gravados, como mexer em volumes aqui, mudar algo alí...

Um pouco depois guardei uma grana e fiz um pequeno upgrade nos equipamentos, nada muito sofisitcado. Isso foi bem no começinho dos 90´s, quando conheci e fiquei amigo de uma pessoa chamada Mike Harding, dona de uma loja de discos, a Touch. A partir daí, inauguramos nosso próprio selo, no qual investimos 50/50. Apliquei minha grana nisso e começamos com prensagens de 1000 a 2000 cópias. O único jeito de lançar o primeiro álbum do Scanner naquela época era com prensagem americana, então fizemos isso e o importamos de maneira praticamente ilegal, pois tinhamos que trazer as cópias em malas, um esquema meio arriscado. Aí dava pra prensarmos até 5000 cópias, e passavamos finais de semana fazendo a montagem do material. A idéia não era ficar ricos, mas sim de colocar idéias em prática.

Nessa época comprei de um amigo um gadget chamado Scanner, que usava pra escanear gravações telefônicas. Sempre gravei vozes, de gente no trem no supermercado; com o novo aparato a coisa ficou mais excitante, e as vozes mais claras. Aí comecei a incorporá-las  em gravações abstratas que fazia, e a imprensa começou a ficar muito interessada nesse material.

Isso tudo aconteceu antes de internet, antes mesmo de lançarem o Big Brother. Tinha a ver com a captação e uso de vozes em espaços públicos, lidava com idéias e com aspectos como moralidade, o que é certo, ou o que é errado. Algo que passa a não ser mais particular. Existe um fator muito importante  nesses trabalhos, relacionados com a naturalidade. Tudo era feito de maneira muito orgânica, não era digital, como o trabalho eletrônico de artistas como o Black Dog, que na época mantive contato e que se tornaram meus amigos próximos até hoje. Fazíamos parte do "Bullets onBoard", há 20 anos, e os caras faziam um trabalho muito interessante, que era praticamente usar um computador para disponibilizar informações e divulgá-las através de serviço telefônico.

Com o tempo, meu trabalho ficou mais internacional, a produção mais cara, mas ainda gira em torno de coisas básicas como idéias, conceitos e relações entre áudio e video.  Sempre me interessei pela noção de teatricalidade e glamour, mas quis humanizar tudo isso. As vozes sempre fizeram parte da minha produção, algo natural, não como Alva Noto (havia mencionado o live do artista com o Byetone no SESC Pompéia)  e Carsten Nicolai, que é 100% digital ( nesta parte Robin parte para uma convincente emulação de clicks, bleeps e glitches). Gosto muito, mas é diferente do meu processo de produção, que usa sons "mais normais". Como exemplo, usei como fonte o vento batendo na janela enquanto estava num hotel, ou também da água correndo pelos canos; muitas vezes as gravações aconteciam a partir momentos inusitados. O que se mantém até hoje é a integridade deste trabalho. que tem a ver com a ambiência "naturalística", algumas vezes mixada com material bem rítmico. Nem sempre a produção é realmente ambient. Prefiro chamar de "cinema".

 

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Sexta-feira com frio invernal e uma curta caminhada no fim da tarde pela Av. Paulista rumo ao Itaú Cultural. Considerando o clima e a presença das antenas de transmissão de rádio no ponto mais alto da cidade, tem tudo a ver com o Scanner e sua produção ambient e experimental.

Após a cobertura da apresentação de Robin Rimbaud (o Scanner) como parte da programação do On_Off - Experiências em Live image,  a assessoria de imprensa do evento cordialmente ofereceu uma entrevista com o artista para o fiberonline. Foram aproximadamente 40 minutos de bate-papo, numa das dependências informais no térreo do Itaú Cultural, o necessário apenas para ajudar a remontar um pouquinho da carreira do produtor, desde meados da década de 1980 até a atualidade, com direito a impressões da performance "Borders -  Unto The Edges ", que o Scanner fez por lá na quarta-feira.

"Tudo começou  quando eu tinha apenas uns 17 anos, quando comecei a organizar uma compilação em K7 com algumas das bandas com que mantinha contato na cena musical e artística independente. O resultado foi a "Peyrere", lançada em 1986, que reuniu produções de nomes como o Nurse with Wound, Derek Jarman, Lydia Lunch, Current 93, Coil and Test Dept.

Era uma cena pequena, mas que me recordo com muito carinho. Naquela época eu estava interessado em muitas coisas que não tinham relação com o mundo comercial. Meus interesses eram sempre direcionados para o que estava fora do esquema "mainstream" - produtores, escritores, compositores, diretores de filmes. Me lembro de ter comprado um box do Throbbing Gristle em 1980; existiam apenas 5000 cópias que ficaram quase imediatamente esgotadas. Ainda tenho ele, com seus 5 vinis, e lembro que na época um amigo meu me perguntou por que eu estava está comprando todo aquele barulho?

As primeiras apresentações de Chris Carter e Cosey Fanni Tutti, Sleazy, sobreturo Genesis P.Orridge, sempre acompanhava os shows. É interessante ver como tudo aquilo era interligado, mesmo sem internet.

Sem querer soar apenas nostálgico, mas tudo aquilo era muito gratificante. As 1000 cópias da compilação foram vendidas imediatamente, muita coisa na época era divulgada na base de flyers. Shows como Test Department embaixo dos arcos de uma estação de trem no meio do nada, em algum lugar na Inglaterra, o Einstuerzende Neuebauten realizando uma performance num squat. Tudo girava em torno de descobrir uma locação que fosse desconhecida pela maioria das pessoas, e tudo acontecia de maneira muito dinâmica e inusitada. Nenhum destes artistas que eu mencionei tocavam especificamente faixas de seus álbuns. Muitas vezes eram performances audiovisuais que se estendiam por mais de duas horas. Era tudo muito inspirador naquela época, e não quero dizer que não estamos vivenciando tempos inspiradores atualmente, mas havia aquela aura de exclusividade.

Hoje em dia eu fico feliz em ver "Peyrere" online, mesmo que eu desconheça quem tenha disponibilizado. Provavelmente alguém que fazia parte do meu mailing da época, e que comprou a cassete", concluiu o artista sobre o início do seu envolvimento com a cena independente do início dos 80´s.

 

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Núcleo mineiro promove celebração do vinil

A festa mais concorrida de Belo Horizonte (MG) não tem flashes, nem DJs tocando com laptops, muito menos povo fazendo pose. A estrela da noite são as velhas e amadas bolachonas pretas que a cada edição ditam o ritmo da pista manuseada por cinco nomes expressivos da cena local: Deivid, Fael (foto), Garrell, JJBZ e Kowalsky. Não existe regra para estilos musicais, e os discotecários se revezam a noite toda tocando qualquer estilo de música boa passeando pelo funk, soul, reggae, rock, disco, rap, brasilidades, electro, disco e o que mais der na veneta. Tudo 100% vinil.

Bati o papo com um dos idealizadores do coletivo, o DJ Fael, que já é uma figura que tem historia por ficar à frente do clubinho Mary In Hell no seu início, e por ter criado a "Safadezas", uma das primeiras festas de electro rock da cidade.

1-Com tanta gente que aderiu ao iPod e Laptop, porque a decisão de fazer uma noite 100% vinil em BH?

Noites do tipo nunca deixaram de existir na cidade. Existem dezenas de DJs que só usam vinil para discotecar há décadas. É somente mais uma forma de fazer a pista dançar, sendo a mais velha delas. Más em um mundo onde quando acontece um BBB aparecem 15 novos djs, resolvemos aplicar a idéia na raiz de escutar a música, e a festa é meio que isso. Sem flashs ou coisas do tipo. O hype da parada é a música que não tocada dessa forma em lugar nenhum. Cinco djs, tocando ao mesmo tempo. Sem ordem, às vezes juntos durante 8 horas de festa. E é o samba do crioulo loki!  Más de uma forma séria, sem ser festa bagaceira. 

  2- Vocês já colecionavam vinis por hobby, em que momento achou que era a hora de usá-los para discotecar?

No meu caso, assim que montei um primeiro set legal, duas horas de som, já dei um jeito de usá-los. Os cinco consomem música desde criança. No fim dos anos 90 ficou muito fácil ser DJ. Apareciam mais e mais clubes na cidade e como todos nos envolvemos com cenas musicas diferente foi fácil discotecar em algumas festas. Até o hobby virar profissão. O Kowalsky, por exemplo, sempre usou vinil pra discotecar e é DJ há 20 anos.

3-O que costuma fazer parte de seu repertório musical? Tem espaço para música eletrônica?

Meu repertório hoje é muito vasto. Eu sou da escola de Laurent Garnier. Gosto de mixar sons e batidas variadas. Então pra cada festa um som. É legal passar por várias escolas e conhece-las bem. Toquei com grandes nomes da música eletrônica como DJ Bel, Gláucia ++, Macau, Rabinho, etc... Do rock idem, e também toquei com o Jurássico, por exemplo, quem tem o mais legal soundsystem de reggae no Brasil sacou? Acho que sempre serei uma pesquisa eterna. Agora meu plano é montar um bloco de samba de rua pro próximo carnaval. E claro, tocar no carnaval eletrônico como todo ano. Esse projeto em especial nasceu como intuito de tocar o que se tivesse vontade sem se preocupar com o rótulo pista. Com a quebra de rítimos (sem tocar som lento) e a vontade de apresentar musicas que nem todos conhecem e que não são tocadas pra tal público. Eletrônico sempre rola e sempre vai rolar. Alguns de nós vieram de lá. Front 242 e nossos amigos Digitaria são discos bem presentes na festa.

 4-A festa acontece num lugar fixo, ou vocês preferem fazer um lance itinerante? Têm planos para levá-la para outros estados do Brasil?

A festa começou num cineclube pra 150 pessoas e migrou pro Studio bar, que é um casarão antigo no centro da cidade que abriga vários ambientes. A casa comporta 500 pessoas e a festa sempre tem lotação esgotada. É linda essa festa. Pretendemos tocar em todos os cantos do mundo com esse projeto na verdade. É um projeto muito legal que agrada qualquer tipo de público pelo fato de tocar tudo. Um dia chegamos à Casa Branca fácil.  

5- Com a redescoberta do vinil pelas novas gerações, também está acontecendo uma febre pelas velhas fitas k-7. A molecada está se cansando da facilidade tecnológica?

É sempre fase né? Uns tão aproveitando a fase das câmeras de filme outros da fita k7. O vinil sempre teve aí pra quem queria. Mas acho que a molecada tá é cada vez produzindo com mais facilidade e isso é muito legal. 

6-De todas as mídias que já tocou, qual é a mais gratificante de todas?

Pelo som o vinil. Um tesão tocar com um discão 180 gramas que você custou a ter. Incomparável o som do groove. Pela economia o cd,  com ele qualquer um é DJ. Se não fosse ele dificilmente teria me tornado DJ. 

7-Quando acontece a próxima edição da Alta Fidelidade?

A próxima acontece 9 de julho. Sexta feita. Começa as 22 e vai até as 06. O Studio Bar fica na Rua Guajajaras 842 no centro de BH. Pra entrar tem que chegar cedo. 

Infos: http://altafidelidade.org/

 

Entrevista: Marina Vello

Ninguém poderia imaginar que a estudante de letras paranaense Marina Vello algum dia subiria num palco e ficaria marcada como uma das performers mais selvagens e carismáticas do início do século 21. Com passagens por algumas bandas de rock do circuito indie de Curitiba, Marina chamou a atenção do grande público quando virou frontwoman do escrachado Bonde do Rolê, que logo receberia convites para rodar o Brasil e o restante do mundo.

Depois de sua saída do combo funk exportação, a vocalista tomou um tempo para repensar sua carreira e,  antes que estivesse recuperada da ressaca pós-tour, gravou seu inconfundível vocal para diversos artistas/produtores. Agora, ela  retorna sob a alcunha de Marina Gasolina  ,prometendo ficar firme e forte na cena. Bati um papo com a própria que falou sobre seus planos e uma passagem por nosso país em breve.

1-Depois da passagem turbulenta em seu antigo grupo, como foi voltar aos palcos? 

 Foi como uma baleia desencalhando da praia e voltando pro oceano (risos). Cheguei ao ponto de odiar tanto fazer turnê que  esqueci que, na verdade, eu gosto muito de estar no palco, me divirto mesmo. E agora é mais gratificante, pois estou construindo uma carreira de verdade e não um hype de banda mais legal da semana passada, como da outra vez. Leva mais tempo e eu estou ralando o dobro, mas a satisfação é tripla.

2- Você fez colaborações com diferentes artistas que vão de Radio Clit, Edu K, Maskinen e até a cantora folk Soko, como pintaram esses contatos?

 Na estrada da vida. Edu conheci em Porto Alegre,ele diz que nos somos tipo Bowie e Iggy, Radioclit produziu 2 faixas do disco do bonde, e nós ficamos super amigos, volta e meia estamos todos reunidos tomando cerveja e sai alguma idéia (como foi com a Soko que tava lá na casa do Johan de bobeira e a gente terminou a noite fazendo Mum, ou os remixes do Radioclit para o Metronomy e Architecture in Helsinki, que também conta com a minha voz).

 3-Conte um pouco sobre seu projeto Marina Gasolina.

Primeiro disco solo, sem funk, em inglês (um pouquinho de português aqui e ali), produzido pelos mesmos Radioclit Boys! A gente passou um ano inteiro escutando rockabilly, hillbilly, rock steady e acabou saindo um disco de pop e rock com influência de rockabilly. O lendário Chucrobillyman tá numa das faixas do disco, e o Electronicat co-produziu 5 faixas. Tem uma última música com co-produção de uma banda bem foda que eu adoro, mas que ainda é segredo.

 4-Você acha que finalmente se livrou do estigma de ser uma cantora exclusivamente de funk carioca?

 Eu sou uma MC de funk ainda. Semana passada eu estava em Estocolmo escrevendo coisas novas de funk com o Maskinen, Schlachthofbronx, Radioclit. Mas isso agora eu faço só por diversão. As pessoas ainda ficam impressionadas quando eu mostro alguma coisa em que eu canto de verdade, mas pra ser sincera  gosto disso. Tudo que é facil demais não tem gostinho de vitória, então quando todo mundo puder escutar o disco, o conceito das pessoas sobre Marina Gasolina vai mudar pra sempre.

5-Nesse tempo, aprendeu a mexer em algum software novo de produção musical?

Hummm, mais ou menos. Eu aprendi ableton live e pro-tools, mas só necessário pra gravar minhas coisas em casa. Eu tenho explosões de criatividade onde uma música sai em 20 minutos, e daí eu gravo pra não esquecer. Agora,  a parte de gravar direitinho, conseguir os sons que estão na minha cabeça, pra isso eu preciso de um produtor, eu não tenho paciência. Mas eu gosto de experimentar com efeitos, plug-ins e MIDI, achar sons diferentes, mas mesmo assim, quando eu acho um som bom, uma coisa diferente, depois eu preciso do produtor pra fazer o negócio funcionar, saca?

6- O rock foi sua base sólida musical, mas em algum momento você foi uma fã ardorosa de música eletrônica e afins?

Quando eu era adolescente eu odiava com todas as minhas forças musica eletrônica até eu escutar Daft Punk e Devo. A partir daí fodeu. Meu marido me fez gostar de minimal techno, e hoje em dia não importa estilo, desde que o barulho seja bom.

7-Tem algum produtor, DJ que está fazendo sua cabeça nos dias de hoje?

João  Brasil é meu favoritos dos brazucas, Martin Buttrich, Matthew Herbert e o novo do Chemical Brothers (muito da rave).

8- Alguma surpresa para 2010? Um recado para todos que torceram pela sua volta?

2010 tem turnê da Marina Gasolina ai no Brasil! Vocês vão ver ao vivo e a cores o  que é um retorno de Jedi (risos) Tem mais, mas eu não quero estragar a surpresa.

 

Entrevista: Renato Ratier

DJ, produtor e dono do renomado clube D-edge, Renato Ratier é o que se pode chamar de multi-homem. Com uma carreira sólida atrás dos decks e responsável pela vinda de figuras importantes da cena e-music, Ratier continua com fôlego para investir em novos empreendimentos ligados à música e vida noturna.

Assíduo pesquisador musical, criou a bem sucedida noite Freak-Chic e foi um dos nomes nacionais que chamaram a atenção do alemão DJ Hell que o convidou para fazer parte do seleto time da International Deejay Gigolos. Com a palavra, o próprio:

Você sempre foi fã de música eletrônica? Quando despertou essa paixão?

Eu sempre gostei de Dance Music. Era algo natural para mim, sendo que sempre apreciei boa música e sempre gostei de dançar. Ao ponto que isso chegou a se tornar um problema doméstico na minha infância, já que eu não deixava a empregada trabalhar, pedindo para que ela dançasse comigo (risos). Também cheguei a dar aulas de break com meus amigos. Então não foi tanto numa questão de uma grande paixão, e sim da junção de duas. Que até hoje são inseparáveis para mim.

Quando surgiu a ideia de fundar o D-Edge?

Isso vem de quando eu ainda era bem jovem, tinha uns dezessete anos e comecei a freqüentar os clubs. Foi nessa época que surgiu esse desejo que sempre me acompanhou, desde a minha adolescência. Eu tive várias propostas para firmar sociedades a fim de abrir um club, mas nenhuma delas atendia às minhas expectativas e necessidades perfeitamente. Então foi um processo que envolveu encontrar todas as condições q satisfizessem àquilo que eu imaginava como sendo ume experiência inesquecível para o público: encontrar o ponto, desenvolver o design, além de toda a atenção com a acústica e som, iluminação, até chegar ao que temos hoje.

A inspiração do nome veio realmente do guitarrista da banda irlandesa U2 (como muitos acham) ou teve outro contexto?

Na verdade, quando me dei conta da similaridade, quase abandonei o nome, mas persisti justamente por causa de sua força. Ele vem do radicalismo, de procurar sempre a ponta, o avant-garde. É um nome forte, que desafia, marca e convida apensar. Ou seja, tem tudo a ver com a proposta que sempre quis para o club.

Em 10 anos de clube, provavelmente veio grande parte da nata da e-music mundial se apresentar por lá. Quem ainda você gostaria de trazer?

Gostaria muito de poder falar, mas o silêncio é ouro e há muitas atrações alinhadas para este ano de comemorações de uma década de existência do club. Se há alguns que ainda não conseguimos trazer, pode ter certeza de que já estamos atrás para que venha o quanto antes. Novos nomes sempre surgem, essa dinâmica constante de novos talentos faz parte da riqueza da música como um todo, e já que sempre procuro me manter atualizado, a lista nunca acaba.

Como pintou o contato com a Gigolo Records?

O Hell já tinha vindo para cá e toquei com ele. Rolou uma afinidade de gostos e preferências, e ele gostou bastante do meu som. Como já havia a idéia de uma compilação brasileira, ele contatou o Fernando Moreno e foi apenas uma questão de acertamos todos os detalhes.

Tem planos de lançar mais produções autorais em breve? Quem sabe um álbum completo?

Sim. A questão é somente me organizar e programar em meio a todas as atribuições que compõem a minha agenda para me dedicar a isso exclusivamente. Já montei um estúdio em casa justamente para poder devotar tempo a essa parte da minha carreira de forma mais consistente.

Quais novos produtores nacionais e internacionais você recomenda?

É só dar uma olhada na programação do D-Edge. Todos os artistas que aprecio respeito e de cujo trabalho gosto estão na cabine do club.
 

Qual foi o DJ Set inesquecível nesses anos de carreira?

Vários, aqui em casa, seja ela em São Paulo ou em Campo Grande. Parece até brincadeira, mas os melhores sets foram aqui no D-Edge mesmo, alguns deles com mais de 8 horas de duração!

O que podemos esperar de novidades para o D-Edge em 2010?

A ampliação da casa. O selo. A criação de alguns vídeos. A nova homepage. É uma expansão da marca como um todo: poderosa, coesa, diversificada e marcante como sempre.