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Resenha: “Mixhell”

casal mixhell

Antes mesmo de chamar a atenção com a sua produção, a dupla Mixhell do casal Iggor Cavalera e Layma Leyton já invadiu vários cases  e ambientes noturnos com seu logo que remete imediatamente – e irremediavelmente – ao RUN DMC. O set bombástico dos dois, junto com uma grande leva de produções maximalistas dos últimos 4 anos, talvez tenha sido um dos principais motivos dos DJs repensarem o volume durante suas performances e aumentarem o ganho no mixer.

max blum

Com a ajuda do produtor Max Blum, que atua há bons 8 anos na produção musical de trilhas de desfiles para temporadas de moda e passou a ficar mais conhecido no circuito da “eletrônica brasilis” na época de sua parceria com Paulo Beto (no projeto Freakplasma, no qual Max era co-produtor), o Mixhell acabou funcionando como um trio e lança agora pela 3plus/ST2 Records seu álbum de estréia, que é marcado pelo espírito colaborativo.

Além de faixas autorais como a “boombada” e requebrante “Boom Da”, o álbum reúne também remixes assinados pelos três para faixas de outros artistas e, em contrapartida, remisturas feitas por outros produtores em cima de faixas do projeto. Pra conferir ainda mais uma característica de álbum mixado, têm também faixas em que o Mixhell nem é mencionado, como “Wachadoin?” do N.A.S.A com remix do Villains e “Cornelius” do Bloody Beetroots. Portanto, não é de se estranhar a participação de tantos nomes em um só lançamento: os belgas Goose, o sueco Houratron, a dupla Maluca Y Diplo, Brodinski (da Boyz Noise Records), Villains, N.A.S.A., The Bloody Beetroots e Crookers. Estes são apenas os mais conhecidos de uma extensa lista que alcança a marca de quinze presenças distintas.

mixhell

Dessa maneira “Mixhell”  deve ser encarado como um poderoso e abrasivo mix  e faz mais sentido quando escutado  em seqüência contínua a partir da introdução/brincadeira ao mesmo tempo infantil e safada, com ares funkeiros e assinada pela alcunha de Mixhell Kids.

O som começa a assumir proporções maximalistas e compulsivas já na segunda faixa, “Highly Explicit”, que é uma espécie de carro-chefe e ganhou remixes do Goose, Brodinski, Houratron. Ela é seguida por duas micro-faixas de aproximadamente um minuto (”Corporate Occult” do Huoratron, remixada por Iggor, Layma e Max) e a já mencionada “Boom Da”, que replicam a mesma idéia de “Highly” e evidenciam um jeito interessante de se formatar um álbum. O DJ que desejar incorporá-las no set (se for de fidget house, melhor ainda) vai ter que se virar nos 30″, ou em um minuto.

Como num liquidificador de idéias e referências, “Dance or Die” reúne os squelches da acid com as freqüências mutantes do hardcore techno e um agogô sequenciado para reforçar a cozinha dançante que vai do kuduro ao electro, tudo isso na mesma faixa.

Independente do prazo de validade da fórmula maximalista de se pensar em dance music, ao final da 17° (e última) faixa de “Mixhell” fica uma impressão de que  o projeto cumpriu muito bem a missão de registrar esse momento visceral e efervescente das pistas. Seja mais próximo do mixer que das baquetas, a mentalidade do Iggor Cavalera continua bem rock´n´roll.

Confira abaixo três momentos distintos do álbum:

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Mixhell – “Higly Explicit” (Goose remix)

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Mixhell – “Dance Or Die” (One Man Party remix)

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From Monuments to Masses -  “Beyond God and Elvis” (Mixhell remix)

Retrospectiva 00´s: o formato live conquista seu devido espaço

cobblestone jazz

Com o advento e popularização das novas tecnologias, muitos DJs que limitavam-se apenas a discotecar passaram também a produzir suas próprias faixas. Com isso, os Dj sets passaram a conviver lado a lado com os live acts, cujo formato foi explorado de acordo com o espaço permitido nos clubes. Seja com o uso de laptop e contoladoras até a incorporação de instrumentos convencionais – e outros muito curiosos como os criados pela turma do “circuit bending”, os sets ganharam muito em dinâmica e personalidade.

Por outro lado, viu-se vários dos famosos lives “fakes” que atrairam a atenção de muitos blogs especializados em delatar os supostos “artistas”, caso do comentado deadact.com. A iniciativa rendeu “pano pra manga” em discussões acaloradas sobre as apresentações de nomes como o Justice e um punhado generoso de lives de psy trance.

À frente do mixer, celebridades inexperientes decidiram assumir de última hora seus respectivos “lado DJ” e os fóruns de discussão de música eletrônica registraram altíssimos índices de participação, com comentários sagazes e outros repletos de puro senso de humor.

Enquanto isso, surgem gradativamente mais cursos de profissionalização de DJs e produtores e , com isso, o aumento representativo de interessados e participantes. Hoje temos inclusive cursos ministrados por universidades brasileiras e, se tudo caminhar conforme os acontecimentos recentes, a sanção para que a profissão DJ seja regulamentada será finalmente assinada pelo Presidente da República no primeiro semestre de 2010.

E que o ao novo e a nova década reservem muitas e ótimas surpresas para inspirar ainda mais os produtores, bandas, projetos, coletivos e toda a gama de formatos responsáveis pela propagação e evolução da músca eletrônica.

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tags

Como diz o velho ditado popular: “Nada se cria, tudo se copia”. No território da eletrônica, seria injusto levá-lo ao pé da letra. Em nome da renovação, muitas das novas produções da década foram realizadas com a apropriação de elementos de outros estilos, e com isso surgiram novas tags para identificá-las.

Eis que surgem categorias como o grime (pegando emprestado elementos do UK Garage, dancehall e do hip hop), o dubstep ( com influência do 2-step, dub , do grime e drum´n´bass) e a leva dos “neo” – aplicadas em grande parte à disco, synthpop e ao electro maximalista.

Por outro lado, sub-gêneros que tiveram seu auge nos 90´s voltaram com força e revitalizados, como é o caso do tech house, progressive house, breakcore e o minimal techno, que passou por uma reformulação de timbres, BPM e com doses generosas de experimentalismo e sofisticação.

Quanto ao formato da programação dos clubes e festivais, a diversidade foi um dos fatores predominantes. Os festivais de rock assimilaram o electro e o electro-rock, o techno e o electro foi assimilado no line up de raves e festas open air em que o psy trance reinava praticamente absoluto, promoters de festas de hip hop, techno e electro passaram a dividir seus projetos num mesmo clube, seja durante a semana como em uma única festa,  abrindo espaço para a exploração de diferentes sonoridades numa mesma noite.

Sem contar com os sets dos DJs, que passaram da unidade de um único estilo para uma experiência mais eclética, o que –  há que se questionar –  não era lá muito visto e ouvido durante as jornadas eletrônicas noite afora.

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soundcloud

Foi-se a época em que os artistas dependiam da “agilidade” da indústria fonográfica e seus componentes para atingir seu público-alvo. Com o advento das redes sociais de música as bandas, projetos, coletivos e selos virtuais obtiveram bastante visibilidade. E o melhor de tudo isso, sem precisar de investimentos faraônicos e com muita independência.

No desenrolar dos acontecimentos, surgiu o MySpace em 2003 e, inevitavelmente, novas plataformas para a divulgação e dinamização de negócios, parcerias e lançamentos, como o Soundcloud. Entre mixtapes, podcasts, faixas e remixes, surgiu um mar de links e conexões para otimizar a experiência de se ver, ouvir e conhecer os artistas e suas respectivas obras.

Com a ajuda do YouTube e de redes como o Orkut, Facebook, Twitter e afins, o futuro da comunicação entre o artista e o público no universo virtual passou a ganhar novas dimensões.

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 download

O alto escalão das grandes gravadoras ficou com os cabelos brancos e viu-se abalado com a popularização avassaladora do MP3, trocas de arquivos pela internet, pirataria e com as novas maneiras de  “pensar em música” – tanto na criação e produção como no jeito de lançar e distribuir o trabalho dos artistas.

Com isso, foram vastas as matérias sobre o fechamento de lojas de CDs, redução drástica no lucro das “majors”, renegociações e remanejamento de estratégias.

Nomes pioneiros como o Radiohead e Nine Inch Nails introduziram um novo fundamento de logística frente ao mercado fonográfico habitual, com soluções diversas como o “pague o quanto quiser”, download temporário de faixas novas e uma atenção especial aos fãs e colecionadores com suas edições “deluxe”, entre outros estratagemas para valorizar a independência artística e  driblar a ganância da indústria da música.

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