
Talvez o termo mais adequado para definir a edição da  sexta-feira passada da noite Freak Chic seja “histórico”. Afinal, não é com muita freqüência que se pode ouvir clásicos da Chicago House, da acid à deep, tocados por alguém que esteve presente e conspirou musicalmente para o surgimento das primeiras “trax” que deram forma ao fenômeno da house em meados da década de 1980. E foi nesse contexto que o norte-americano Larry Heard, beirando os cinquenta anos de idade, tocou pela primeira vez no paÃs.
As novidades ficaram por conta do anfitrião Camilo Rocha, e um dos melhores momentos de seu set de abertura foi o belÃssimo remix do Optimo para “Buzz In”, pena que cortado pela metade em prol da dinâmica do set.
A aula de house music começou mesmo lá pelas 02h30 com a clássica “7 Ways to Jack” do Hercules (projeto de Marshall Jefferson, outro “monstro” do estilo), resgatada diretamente de 1987 pelas mãos de Heard. Não demorou muito para entrar em cena outro grande momento da house, desta vez com “Break 4 Love” do Raze – inspiração para o surgimento de outras pérolas como “If Only I Could” do Sidney Youngblood e outras homenagens, como a prestada pelo Pet Shop Boys anos depois.
A partir daà começaram as primeiras manifestações de acidez eletrônica com “squelches” de TB e mais legados da era de diamante da acid house. “No Way Back” do comparsa Adonis talvez merecesse manifestações de espasmo do público muito maiores do que as que rolaram. Como parte dele não me contive, mas confesso que, por mais atemporal que a faixa seja, obviamente não é a mesma coisa que escutá-la há 20 anos em outras pistas. Será efeito da idade, do resgate insistente dela por parte de DJs de gerações mais recentes, ou quem sabe talvez a tal da “vibe” da pista é que não estava lá das mais inspiradas? Acho que um pouco de tudo isso.
Mesmo com a reação da pista relativamente morna, o veterano à frente do mixer mandou ver a emblemática “House Nation”. Aà sim a fagulha acid pegou fogo e as pessoas reagiram com a intensidade merecida.
Depois da aula de house – prática também, afinal ele não deixou de tocar a aguardada “Can You Feel It”, de sua autoria como Mr. Fingers - Larry programou sua máquina do tempo para uma regressão fundamentalista de aproximadamente uma década, e foi aà que teve inÃcio a aula de disco music. Não faltaram hinos como “Love is The Message” do MFSB, de Philadelphia para os ouvidos espertos de Malcolm McLaren que aproveitou a deixa para produzir “Deep in Vogue” (com sua The Bootzilla Orchestra), “Inch By Inch” do Persian, “Is It All Over My Face” do Loose Joints e “I Feel Love” da Donna Summer, com a produção mágica de Giorgio Moroder.
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Depois de tamanho “fundamento”, perfeito para uma noite como a Freak Chic e arrematado com a supersônica “Moody” do trio nova-iorquino das irmãs Scroggings, é bem provável que as lembranças desta noite inesquecÃvel (e talvez sem precedentes à altura) fiquem gravadas por um bom tempo na memória dos que estiveram lá pra ver e ouvir uma das lendas da house de Chicago.
Veja abaixo as fotos da galeria da noite Freak Chic da noite de 27/11: